segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Resgate


Trago em mim lendas
Mitos
Histórias e mistérios
Revelo no olhar
Um tabu desvendado
Um pecado permitido
Escondo na alma...
Um amor reprimido
de eras passadas
superando o tempo
Emergindo do esquecimento
Aguardando o momento
De ser revelado
Resgatado
Desse abismo de inquietação
E enfim revivido
Com a mesma intensidade de outrora
Esse sentimento
Que às vezes sufoca o coração
Muito maior que uma simples paixão
Viverá assim pelo anos
Será assim pelas vidas
Seguirá assim pela eternidade

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Todas As Luas Em Mim


Não sei quantas luas se passaram

Só sei que o que está aqui dentro

Não passou

Não acabou

Nem diminuiu

Só aumentou

Brotou

E verte

Inundando todo meu ser

Que seu é

Quero você em todas as luas

Na minha eternidade

Te mostrar as minhas faces

Em cada uma das minhas fases

Quero te fazer meu

Enquanto eu

Para sempre sua... Sou

Quero você em todas as minhas luas

Em meio às ondas revoltas

E a calmaria

Desse nosso mar de sentimentos

Quero nossos corpos misturados

E na nossa pele o sabor agridoce

Da paixão

Quero sempre essa sensação

O arrepio que percorre o corpo

Esse calor

A palpitação

Que às vezes se transforma em dor

Quero todas as luas em mim

Todas as fases e faces

Viver e sentir

E quero você nelas

Comigo... Em mim

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Versos Soltos

A sombra do teu corpo na penumbra

Faz-me querer

Querer-te

Na tua frente e verso

Tatuo as minhas marcas

Enquanto

As palavras que escapam

Transformam-se

Em versos soltos

Que perambulam

Sobre nós

Versos que incitam

E nos desvencilham do pudor

Fazendo que nós

Nos entreguemos

Ao prazer da paixão

Esquecendo

De toda dor

Que traz o amor



quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Fases


Aos 15 anos tudo o que eu queria era estar em lugares com muitas pessoas, vários amigos, com a roupa da moda e tinha vergonha de quase tudo que pudesse me fazer pagar algum mico.
Aos 25 anos eu já era mãe, ainda queria estar em lugares com muitas pessoas, selecionava mais os amigos, ainda queria estar na moda e já começava a ficar sem vergonha.
Os 35 anos ainda não chegaram, mas aos 33 anos já sou mãe de três filhos, tenho pavor de lugares com muitas pessoas, os vários amigos se transformaram em poucos, estar na moda se transformou futilidade, um livro me satisfaz e me dá muito mais prazer do que uma blusa, calça ou bolsa de “marca” e estou totalmente sem vergonha. Filhos e idade têm esse poder sobre a gente, tornam a vida mais simples e acabamos percebendo que o que antes era motivo para vergonha é tão somente a nossa verdade, quem somos realmente.
Pode ser que aos 35 muita coisa já tenha mudado por aqui de novo, mas hoje aos 33 tenho certeza de que sou feliz assim e que apesar de ter os meus momentos de solidão “necessária” é entre os meus que quero estar, que é com a minha família que me sinto bem e completa. E sem sombra para dúvidas quero meus filhos sempre aqui perto de mim (os de duas e quatro patas).
Por isso, acostumem-se!
Onde eu estiver vai ter barulho de criança, correria, muita risada e brincadeiras (muitas vezes fora de hora). E quando vier a minha casa, não estranhe, com certeza vai ter brinquedos espalhados pelo chão, mão suja (muitas vezes na sua roupa), risada e choro altos, cachorro cheirando e muita felicidade com pequenas coisas. Mas, sinta-se à vontade para fazer o mesmo, coma com a mão, limpe-a na roupa, ria alto, chore se tiver vontade, cheire o cachorro (com certeza ele não vai se importar). Mas, por favor, só não se esqueça de ser verdadeiro e espontâneo como as crianças e os cachorros, assim com certeza você sempre será bem vindo ao nosso lar.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Sobrevivo



Tórpida sensação
Mistura de sentimentos
Mórbida inspiração
Busca constante
Corrói o coração
Vazio que não se preenche
Triste ilusão
Na vida
Só desilusão
Mas fui eu que escolhi
Viver nesta solidão
E a melancolia em mim
Permanece
Destrói feito furacão
E eu cada vez mais confusa
Num turbilhão de pensamentos
Não tenho paz
Não vejo a calmaria se aproximar
Meus versos perdem a rima
As palavras perdem o sentido
E a dor
Cada vez maior
Aqui
Em mim
Se instala
Enraíza
Brota feridas
Abre cicatrizes
Dilacera
E eu
Aqui sozinha
Sobrevivo
Me acostumo
E penso
Que se não for assim
Nesta confusão de sentimentos
Talvez eu não consiga viver

givana mendhes

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Abismo


Ela estava ali

Olhando para a vida

Como quem pára a beira de um abismo

O medo da queda a segurava

O alívio do vôo a encorajava


Ela sentia uma dor que não se calava

E ela mesmo muda

Gritava

Mas diante daquele abismo

Nessa vida

Só a solidão a escutava


É nesse silêncio

Nessa solidão acompanhada

Que ela todo os dias

Trava uma batalha

Entre o medo e o alívio

Entre o recuar e se esconder...

Ou... Se entregar

E se soltar

No abismo da vida


giovana mendhes

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Nunca encontro


Estou neste mundo num caminhar eterno
Numa procura constante
Peregrina de mim mesma

Vou e volto
Nunca encontro
Não me acho
Não permaneço

Em lugar nenhum é o meu lugar
Trago novas vidas
Mas a minha eu não encontro
Nunca encontro
Em mim só desencontro

E assim vou caminhando pelo mundo
Procurando de canto em canto
E quem sabe por um segundo
Eu me encontre
Mas agora...
Em mim só desencontro



giovana mendhes